Aos Poetas
Somos nós
as humanas cigarras!
Nós,
desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
que se abriga
ao luar.
Nós, que nunca passamos
a passar!…
Somos nós, e só nós podemos ter
asas sonoras,
asas que em certas horas
palpitam,
asas que morrem, mas que ressuscitam
da sepultura!… Leer más